segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Quem precisa da TV Cultura?

Nesse mês de agosto uma notícia casou polêmica na cena Hip Hop brasileira. João Sayad, diretor presidente da Fundação Padre Anchieta, entidade mantenedora da TV Cultura, anunciou que pretende demitir cerca de 80% dos mais de 1.800 funcionários e extinguir atrações. De cara o programa Manos e Minas. Sayad alega a necessidade de se mudar o perfil da emissora, ou seja, de produtora de programas à compradora de conteúdos, repetindo a fórmula já adotada por outros canais que encomendam atrações de produtoras independentes.

A medida, logo que anunciada, causou repercussão. Representantes da cena, como os DJs KL Jay , Zé Gonzales e Ganjaman, demonstraram sua indignação diante do fato. O pessoal do blog Per Raps (http://perraps.wordpress.com/), lançou uma campanha no Twitter (#salveomanoseminas) que chegou a figurar no Trend Topics do site. Até o senador Eduardo Suplicy, se manifestou a respeito do assunto.

Não há dúvidas de que o Manos e Minas é um programa de extrema importância. É o único do gênero na TV aberta brasiliera. Pólo difusor dos quatro elementos da cultura Hip-Hop. Em pouco mais de 3 anos no ar, tornou-se o espaço onde o jovem da periferia mostra a sua arte, sendo o protagonista da própria história, cantando, dançando, fazendo rimas, celebrando. Ninguém aparece empunhando armas, com a cabeça coberta, sendo revistado, entrando ou saindo da caçamba da viatura policial. Mesmo diante disso tudo, uma pergunta vem a minha mente e não quer calar: quem é que precisa da TV Cultura?

O movimento Hip Hop hoje é um fenômeno global que gera cifras astronomicas. Empresas como a Nike e a Adidas patrocinam rappers, bandas e eventos, não é de hoje. O Brasil já se tornou parada obrigatória na turnê de vários artistas internacionais. A qualidade das produções de um salto enorme nos últimos anos. MC´s e Djs brasileiros são reconhecidos mundialmente. Sem falar da contribuição que o movimento tem dado à música popular brasileira ao resgatar canções obscuras, esquecidas no tempo, que ressurgem em samples e mixtapes.

Obviamente que o fim de um programa desse quilate é um duro golpe. Porém, não será esse o fim do movimento. O Hip Hop no Brasil nunca precisou da TV Cultura para se afirmar e chegar no patamar em que se encontra. Não estamos desmerecendo o trabalho realizado pela emissora até aqui. Mas se há algum problema de audiência ou de qualquer otro tipo não é culpa do Manos e Minas ou de qualquer outro programa. Na realidade a TV Cultura é que perde ao tirar de sua grade um programa  que caracteriza  a diversidade cultural do nosso país.

Acredito que chegou a hora daqueles que são a força motriz dessa cultura chamarem para si a responsabilidade e batalharem na direção de um outro projeto. Será que é viável a criação do BET Brasil?

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