terça-feira, 15 de junho de 2010

O placar apertado foi o de menos

por MARCOS CAETANO para a Revista Piauí (http://www.revistapiaui.com.br/)

http://migre.me/PgC6

Muitos dirão que a vitória apertada sobre a Coreia do Norte – a pior seleção da copa, segundo o ranking da FIFA – foi um resultado ruim. Pois eu digo que o placar não foi nada. Garantiu três pontos e a liderança do grupo, estreia é sempre complicado, era o jogo da vida dos adversários, eles jogam muito fechados, melhoramos no segundo tempo, a Itália também joga mal e vai longe, patati, patatá. Tudo parte do discurso otimista de sempre, para garantir a audiência dos grandes canais de TV e satisfazer seus anunciantes. O importante é festejar. Viva o carnaval em junho! Não caio nessa. E insisto: o placar apertado foi o de menos.

Ruim mesmo foi constatar várias coisas preocupantes. Em primeiro lugar, Kaká e Luís Fabiano estão longe, mas muito longe de suas melhores condições técnicas. A parte física desses jogadores, que tanto nos preocupou, hoje parece solucionada. Mas quem disse que a recuperação física anda de mãos dadas com a técnica? Sem Ganso e Adriano (desculpe, Dunga, juro que não é para tripudiar, realmente acredito nisso) que seriam suplentes de qualidade para nossos dois craques, as alternativas que temos são Júlio Baptista e Grafite, que eu não considero em condições de repor, nem de longe, a qualidade da dupla titular. O pior é que, pelo visto, Dunga também não acha. Tanto que ontem não lançou Júlio Baptista e, como sabemos, Grafite não entra no time titular nem em coletivos. Ao menos naqueles poucos que podemos ver. Francamente, para levar Grafite e Kleberson para passear na África, o que custava ter levado Ganso e Adriano (ou Neymar) como opções de verdade?

Se eu tivesse que apontar o que mais me entristeceu ontem foi a sensação – e tomara que seja só uma sensação – de que, ao ver o time tomar um gol quando tinha três atacantes (Luís Fabiano, Robinho e Nilmar), mais Daniel Alves jogando pelo meio, uma formação que me parece bem melhor do que a que começou o jogo, Dunga pode ter interpretado o fato como um “sinal dos deuses” para retomar seu plano original e conservador.

O “pitoresco” casacão de Dunga, com dezenas e zíperes e botões, reflete bem a personalidade de um homem preocupado em fechar as coisas. Nosso time se fecha muito bem e sabe contra-atacar, mas precisa aprender a abrir defesas. E isso, amantes do futebol-arte ou do futebol de resultados, só se faz com talento.

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