quinta-feira, 10 de junho de 2010

Festa Funk Soul Black: salve a velha escola!!!

Movimento Black Rio é celebrado em baile sem violência e músicas atuais


Nada poderia ser mais simbólico do que um túnel, decorado com luz negra, na entrada da quadra de esportes do River Futebol Clube, na Piedade. Através dele, na fria e chuvosa noite de sábado, cerca de 1.500 pessoas entram na festa Funk Soul Black e voltam no tempo, num moonwalk coletivo, para celebrar o passado e o chamado Movimento Black Rio. Trata-se de "um baile à moda antiga", como deixam claro o cartaz na porta do bar e também o "varal" com capas de discos antigos de James Brown, Big Boy, Ademir Lemos, Marvin Gaye e Dafé. O tamborzão está mudo: o funk aqui é de raiz.

- A ideia desta festa é voltar mesmo no tempo e lembrar os primeiros momentos do funk e do movimento black no Rio, antes que ele se transformasse no que é hoje. É uma verdadeira exaltação do passado - conta o DJ Português, que criou a festa há dois anos. - Fazemos cerca de duas edições por ano, sempre tentando mostrar, através da música, como foi o período áureo das grandes equipes de som dos anos 70 aos 90.

Na quadra, a estrutura para esse exercício de nostalgia é impressionante. Duas grandes paredes de caixas de som aguardam a entrada em cena dos DJs das equipes Soul Grand Prix e Live. Uma terceira já está em ação, com os DJs da Furacão 2000, despejando clássicos do funk melody e do charme para a massa, que desliza, com estilo e passinhos ensaiados, pela pista de dança.

- Eu estou nos céus aqui - diz o tatuador Luís Cláudio Carvalho, usando uma blusa, feita por ele mesmo, com uma imagem de Michael Jackson e os dizeres "Deus da dança". - É uma homenagem ao maior dançarino que existiu. Nas horas vagas, como hobby, eu faço imitações do Michael, com tudo o que é direito, chapéu, meia branca e luva.

A recomendação de Português para os seus DJs convidados é que toquem apenas com vinil e nunca, jamais, reproduzam qualquer coisa produzida nos anos 00, principalmente em português.

- O nosso som não é o dos MCs. A batida aqui é mais suave, e o clima também - conta.

Edições anteriores da Funk Soul Black já tiveram a participação de heróis da noite carioca, como o supremo DJ Corello, e também ícones dos bailes "da pesada", como o americano Stevie B., o rei do funk melody. Quem perdeu alguma dessas edições pode voltar no tempo - afinal, esse é o mote da festa - através de DVDs, com imagens das festas, vendidos no local por R$ 15.

- Há muitos grisalhos entre o público, já que ele é formado por pessoas que viveram aquela época, mas tem também uma galera nova, que vem ao baile tentar saber como eram aqueles eventos - conta o veterano DJ Humberto Cardoso, o Humberto Disco Funk, que mantém um blog no qual conta a História do funk carioca (humbertodiscofunk.blogspot.com). - Manter o blog dá trabalho, mas é um prazer levar a História para as novas gerações.



Eu estive lá em 2008...



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