sábado, 22 de maio de 2010

Crack chega a Rondônia

Crack chega a Rondônia e se populariza entre os operários da construção civil, principalmente das hidrelétricas do rio Madeira

por Nelson Townes de Castro

O crack, a mais mortífera e barata droga derivada da pasta base de cocaína, chegou a Rondônia (e ao vizinho Estado do Acre) e das sarjetas começou uma ascensão social espalhando-se pela classe operária, especialmente da construção civil; o problema preocupa os gerentes dos canteiros de obras das hidrelétricas de Santo Antonio e Jirau.

Operários dominados pela tornam-se inconfiáveis nos serviços normalmente de risco de acidentes na construção civil – principalmente nas obras de hidrelétricas. Em seguida, quando a dependência da droga aumenta, eles se tornam inúteis para o trabalho.

Outro fator para a disseminação do crack nos canteiros de obras das usinas e que os acampamentos dos operários são comumente ambientes de licenciosidade à noite, com a presença de prostitutas e consumo de bebida alcoólica.

Um exemplo é Jaci Paraná, próxima das obras de Jirau, que era um pacato lugarejo e hoje é um reduto de prostitutas brasileiras e bolivianas – ao menos nos pontos de acesso aos canteiros;

A questão já é conhecida pelas autoridades estaduais e federais, e o próprio presidente Lula está proecupando com a disseminação do cracl na Amazônia.

Os pedidos de ação do Poder Públco estão sendo . encabeçados por empresários da construção civil, pois não só os operários das hidrelétricas estão se viciando nas drogas, mas os dos grandes emprendimentos imobiliários da cidade. Muitos empresários estão recrutando operários em outros Estados, mas muitos logo retornam aos Estados de origem. Os que ficam acabam se corrompendo com a facilidade com que se segue acesso a drogas em Porto Velho.

Ainda não se sabe quem e como morreu um operário no canteiro de obras de Santo Antonio. A morte é confirmada por fonte ligada ao comando da Polícia Militar, O caso vem sendo mantido em silêncio pela empresa Santo Antonio Energia, mas já se especula que não teriam sido agressões que teria recebido da Polícia Militar e de seguranças da empresa – em recente motim contra de demissões, mas por overdose de crack.

A presença do crack, uma droga que nunca tinha sido detetada em Rondônia deixa em estado de alerta as Polícia Federal e estadual e principalmente os Ministérios da Justiça ( MJ) e Saúde a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) – que querem evitar uma pandemia da droga

Já se sabia que o crack estava se espalhando dos grandes centros urbanos do Sul e Sudeste – especialmente São Paulo e Rio – para os municípios do Interior dessas regiões.

O que se temia é que se expandisse para todo o País e chegasse a Amazônia, principalmente em regiões como Rondônia, onde o narcotráfico é virtualmente incontrolável. Da classe operária para a estudantil é só uma questão de pouco tempo e isso requer estratégias que vão além da repressão, mas um amplo esclarecimento sobre a letalidade do crack, a extrema degradação física e moral a que leva o usuário.

Aparentemente, o crack chegou a Rondônia junto com a transferência de presos perigosos para os novos presídios da região, e que decidiram que uma nova “fonte de renda” é necessária para influenciar as atividades criminosas a partir destes presídios” – como analisa um olicial.

Policiais ouvidos pelo repórter disseram que por ser mais barato e causar fulminante dependência, o crack pode ser devastador nas camadas mais pobres da população e aumentar a criminalidade dos que estarão dispostos a fazer qualquer coisa para comprar mais crack.

Uma pedra muito pequena de crack de péssima qualidade, é vendida na Paraíba, a crianças de 8 anos por apenas R$ 1,00. Uma única pedra de crack pode custar em média de R$ 5 a R$ 10.

No Nordeste, a faixa etária mais atingida é de 8 a 14 anos, de famílias de baixa renda. Em vários Estados, crianças pedem esmolas, dinheiro para comprar crack.

Em Porto Velho, o crack poderá se espalhar entre os jovens das periferias de Porto Velho que sempre os excluiu da sociedade de consumo e os criminaliza. Hoje eles podem ser contados aos milhares.

Paradoxalmente, as apreensões de cocaína, uma droga mais cara, mais da classe média no Brasil, vêm aumentando consideravelmente nos últimos anos e mais do que dobraram desde o início da década, segundo informa um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

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